- Psicóloga Vívian

- 26 de nov. de 2020
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São Paulo, Sexta-feira, 22 de Outubro de 1999 Texto Anterior | Próximo Texto | Índice CRÍTICA A verdade de "O Sexto Sentido" está onde menos se espera LÚCIO RIBEIRO Editor-adjunto da Ilustrada Não leia este texto. Aliás, enquanto o apavorante "O Sexto Sentido" não estiver diante de seus olhos, na escuridão do cinema, não chegue perto de qualquer coisa que diga respeito ao filme. Quando o assunto for o novo thriller psicológico estrelado por Bruce Willis e você ainda não o tiver visto, se afaste dos amigos, da(o) namorada(o), da Internet, com o propósito de não ter a mínima pista do final antológico que reserva esta produção independente agora ultramilionária. Você ainda está lendo? Pois bem. "O Sexto Sentido" é um filme impressionante. Impressionante de bom e impressionante de impressionante, mesmo. Aqui, Bruce Willis abandona a camiseta regata branca e a dura vida de super-herói para interpretar um psicanalista infantil, casado e feliz, que no dia em que recebe destacado prêmio por seu trabalho é visitado por um paciente perturbado. O sujeito afirma que o psicanalista arruinou sua vida na infância e quer acertar as contas. Mete uma bala na barriga de Willis e outra na própria cabeça. No outono seguinte, Willis é um outro homem. Tenta se recuperar do trauma, seu casamento está acabado e sua carreira brilhante já era. Até que ele visita um garoto de 8 anos com um certo probleminha. A situação do garoto não é fácil: sempre assustado, vive rezando na igreja, é tido como "o estranho" na escola e até a mãe acha que ele não bate bem. Depois de muito relutar, ele resolve desabafar para o nosso amigo e seu psicanalista Willis: "Eu vejo pessoas mortas". Willis vê no menino a ressurreição de sua carreira. E vai tentar ajudá-lo a encarar essa gente do além. Mais da trama não dá para entregar. "O Sexto Sentido" é outro filme independente que aborda o terror e virou fenômeno de bilheteria (em dez semanas, já arrecadou mais de US$ 235 milhões e só perde, no ano, para a prequela de "Star Wars"). Só que, enquanto "A Bruxa de Blair" explora o medo do desconhecido, do que não se vê, em "O Sexto Sentido" dá para ver direitinho as "coisas" que apavoram o menino e deixam as pessoas no cinema com o pescoço gelado, afundadas na poltrona. Outra coisa que assombra no filme é a excelente interpretação do rapazinho Haley Joel Osment, na verdade com 11 anos, que ainda mais novo fez o filho de Tom Hanks em "Forrest Gump". A cara de desamparado e a voz rouca e sofrida do menino são de fazer o mais cético acreditar que ele vê fantasmas até na vida real. Segundo o tititi inicial a respeito do Oscar 2000, que já corre solto em Hollywood, Osment já é o favorito ao prêmio de ator coadjuvante, disparado. As apostas dão conta ainda que o troféu de melhor roteiro original vai para as mãos do novato roteirista e diretor M. Night Shyamalan, que só com "O Sexto Sentido" saiu da categoria de "ninguém" para a de "um dos mais bem pagos cineastas de toda a América". O fato é que "O Sexto Sentido" é mesmo um filmaço. Chapado pelo final, você vai ter vontade de assisti-lo de novo, para conferir como certas passagens tão reveladoras passaram despercebidas, de tão bem construídas. Se der, volte ainda a este texto. Ele entrega o final. Avaliação: Filme: O Sexto Sentido Produção: EUA, 1999 Direção: M. Night Shyamalan Com: Bruce Willis, Haley Joel Osment, Toni Collette Quando: Belas Artes Oscar Niemeyer, Eldorado 4, Ipiranga 2, Astor, Center Iguatemi 1, Metrô Tatuapé 1 e circuito Texto Anterior: Cinema - Estréias: Terror psicológico leva cineasta novato ao topo Próximo Texto: Televisão: "Mondo Massari" sintoniza o planeta inteiro na MTV Índice Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Agência Folha.


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